Picadeiro Real, Antigo Museu dos Coches
Lisboa, Portugal


O tempo passa, as coisas mudam, mas as memórias ficarão sempre onde elas estão, no coração.
Os livros são por excelência a casa das letras, mas vivem cada vez mais no mundo dos números. Nos lares digitais entre zeros e uns. Nas estradas dos gigas, megas e terabytes. O tsunami digital transformou profundamente o quadro da literacia, trazendo à costa novas tecnologias que têm revolucionado a forma como lemos e escrevemos.
Desde os Ipads aos Kindles, dos ebooks aos audiobooks, passando pelas redes sociais e, mais recentemente, pela inteligência artificial que ganha cada vez mais protagonismo no domínio dos livros. Apesar da força digital, é na sua composição física, na sua essência original, que os livros têm perdurado no tempo. Sob a forma de legados. Enquanto símbolos tangíveis de grandes ideias e pensamentos.
Está provado que a intimidade e experiência sensorial da leitura de um livro impresso não pode ser igualada por qualquer outra forma de media.
Ainda assim, permitiremos a sua descontinuação?
O Planeta está em profundo desequilíbrio. A disrupção climática é uma das maiores crises que a humanidade enfrenta e requer, por isso, uma transformação profunda da forma como vivemos. Todos os modelos de negócio têm obrigatoriamente de ser repensados e a indústria dos livros não é exceção. O olhar clínico sob a cadeia de valor é fundamental numa altura em que a neutralidade carbónica é imperativa para todos.
De que forma podem os livros contribuir para esta missão planetária ao mesmo tempo que alavancam o poder das suas pessoas?
Somos mais de 8 biliões de vozes a habitar este planeta. Milhares e milhares continuam a não ser ouvidas. Silenciadas pela força da intolerância e pelo poder do preconceito. Os livros são poderosos antídotos mas podem ganhar ainda mais força. Explorar o caminho da representatividade é uma das grandes viagens em cima da mesa, não só de quem lidera o caminho, mas também de quem escreve e lê.
Serão os livros capazes de transformar o nosso mundo em prol dos ODS?
Nos seus primórdios, a educação servia o propósito de preparar os cidadãos para participar na vida pública. Hoje, a missão é monumental: de que forma pode preparar-nos para navegar num mundo que está em constante e rápida transformação, com enormes desafios à escala mundial?
Pede-se agora que a visão estritamente cognitiva se abra para uma imagem mais holística do mundo e do indivíduo. Nas ondas do digital, vamos assistindo à emergência de novas plataformas, formatos e métodos de leitura que tomam, cada vez mais, os lugares dos livros físicos, residentes por excelência das salas de aula.
Olhamos agora para novos espaços de educação, novas formas de ensino e de aprendizagem, que rompem com os modelos educacionais que desde sempre conhecemos.
De que forma pode a indústria dos livros potenciar esta transformação e entregar-nos assim o passaporte para o mundo?
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